segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Game of Thrones

Este fim de semana, finalmente decidi ler Game of Thrones. Todo mundo já leu os livros e já assistiu ao seriado, mas eu vinha resistindo, com o plano de só começar depois que o autor terminasse de escrever tudo. Vai que esse cara morre e deixa os leitores na mão? Aí vão contratar um escritor meia-boca para terminar a história e vai ser horrível e decepcionante. Pode ser que o fim original seja horrível e decepcionante mesmo, mas pelo menos vai ser o fim original.

Estou achando surpreendentemente bom. Eu esperava algo à Senhor dos Anéis, mas o George R. R. Martin é um autor contemporâneo e, portanto, tem um estilo mais moderno: escreve cenas mais curtas, alterna mais entre os personagens e termina os capítulos em momentos mais emocionantes. Além disso, ele não se preocupa em desenvolver línguas novas, criar poemas e canções e fazer descrições geográfica detalhadíssimas (o que é decerto valorizadíssimo pelos fãs, mas meio chato para o leitor casual).

A parte ruim é que já sei um monte de coisas (eu e a torcida do Galo). Já me contaram que uma galera vai morrer (então não é prático se apegar a nenhum personagem), que o Jon Snow não só vai morrer como vai ressuscitar, que a Daenerys Targaryen vai arrumar uns dragões e começar a dominar a joça toda. 

Ainda não resolvi se e quando vou assistir ao seriado. Provavelmente sim, depois que terminar os livros, porque os episódios já avançaram mais que os cinco volumes publicados. Por enquanto, tenho 3.640 páginas para me divertir. 

Por enquanto não avancei muito porque também resolvi ler uns livros sobre futebol americano. A temporada de jogos começou e achei que, se entendesse mais do babado, também acharia mais interessante. E, de fato, é um esporte mais complicado e mais divertido do que me pareceu à primeira vista. 

Gosto principalmente das pausas para comer cachorro-quente. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A velhinha doida

Definitivamente serei uma dessas velhinhas doidas que saem conversando com completos desconhecidos na maior tranquilidade.

Hoje, puxei conversa com uma pessoa diferente em cada ônibus que peguei e com dois amigos que vinham caminhando pela Esplanada. E continuei batendo papo, bem contente, até a hora de saltar do ônibus ou de entrar no prédio. 

Acho que eu estava precisando socializar.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um segundo leitor digital

Amo profundamento meu Kindle 4.0, uma versão maravilhosa com teclas que nem vende mais. Eu o tenho desde 2011 e ele já viajou bastante e sofreu um bocado de quedas, mas continua firme e forte. O único sinal de uso é a moldura desgastada pelas minhas mãozinhas sequiosas. 

No entanto, sei que um dia ele vai pifar. Tenho lançado olhares cobiçosos para o Kindle do Leo, que é do mesmo modelo, mas foi comprado depois e está mais conservado, porque o Leo divide seu interesse em aparelhos digitais entre o leitor digital, o tablet e o esporte na televisão. Obviamente não vou poder simplesmente tomá-lo dele, mas substitui-lo por uma versão mais moderna e sem graça (comigo é assim: dureza).

Estavam as coisas nesse pé, quando um cartão de crédito que o Leo tem há anos, até então gratuito, decidiu cobrar-lhe uma anuidade milionária. Antes de cancelar o cartão, o Leo verificou que tinha pontos no programa de recompensas. Esses pontos poderiam ser trocados por uma variedade  incrível de badulaques. Nada nos interessou, fora um belo Kindle Paperwhite por metade dos pontos habituais. Considerando o tanto que a gente usa os leitores digitais (eu esqueço a carteira em casa, mas não esqueço o Kindle), achamos um boa ideia ter um reserva.

Ele chegou pelo correio a alguns dias, bem na hora em que o laptop agonizava (este logo se recuperou. Deve ter sentido que não ia fazer falta e decidiu se comportar). O Kindle Paperwhite é bem bonito e aveludado, mas sofre da terrível e incurável condição de não possuir teclas. Ou seja, ainda não conseguiu minha aprovação incondicional.

A principal vantagem brinquedo novo é ter luz própria. Eu e o Leo gostamos de ler antes de dormir, e volta e meia ele apaga enquanto eu prossigo com meu abajur ligado. Agora, não vou mais incomodá-lo: lerei noite adentro sob a iluminação discretíssima do leitor digital.

Quem sabe com o tempo não me adapto à condição teclaless do Paperwhite? A capacidade de armazenamento dele (4 GB) é o dobro da do antigo. Dá pra enfiar muito mais PDFs dentro. 

sábado, 27 de agosto de 2016

Decide, Jesus!

Antes de ontem meu laptop pifou por algumas horas. Quando ele voltou, corri para fazer backup.

Ontem meu laptop pegou um vírus. (Sim, eu baixo itens indevidos na internet, como o pdf falso de um livro de francês impossível de achar em sebos - Objectif Diplomatie 2, caso alguém queira saber. E tenha. E queira me emprestar.) Com a serenidade no olhar de quem tem backup, corri para pedir ajuda pro Leo, que nos salvou (a mim e ao note).

Eu não acredito em sinais, mas se acreditasse, poderia concluir:
- que Jesus quer que eu pare de estudar; ou
- que Jesus quer que eu fique esperta e estude com mais intensidade, porque a oportunidade de estudar pode desaparecer a qualquer instante; ou
- que Jesus é um gozador.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O que Jesus quer para mim

Quando fiz uma pós em direito do trabalho (longa história), a melhor parte eram as colegas. Uma dela gostava de dizer, diante de imprevistos: "Jesus não queria isso para mim".

Sou firmemente ateia, mas achei a ideia fofa. Que serenidade essa, de justificar os obstáculos e revezes com a vontade de Jesus. Uma certeza deveras reconfortante.

Ontem meu laptop piscou e apresentou uma tela azul com letras pré-históricas. Diagnóstico do Leo: o aparelho não está conseguindo ler o próprio HD. Sim, você provavelmente perdeu tudo.

Pensei nos resumos e anotações de aula. Pensei nos artigos e capítulos em pdf. Pensei nos PowerPoints baixados e organizados com títulos explicativos. Pensei nos áudios gravados em tempo real. Tudo evaporado, como em um passe de mágica.

E o que fiz? Dei um suspiro. E só. Pode ser o remédio para labirintite que estou tomando ou o monte de livros que tenho lido sobre a tolice de lutar contra o que não podemos mudar. De qualquer forma, não me irritei. Talvez tenha até sentido um microalívio, uma permissão implícita para passar uns dias sem estudar.

O Leo decidiu telefonar para a assistência técnica da marca e, enquanto esperava ser atendido por uma pessoa de verdade, o laptop voltou à vida. Foi até engraçado.

Então, se os materiais dizimados significavam que Jesus não queria isso para mim, os materiais trazidos de volta à vida querem dizer que Jesus quer que eu estude muitão?

Me lasquei.